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DiaryTouch

Diário de leitura de jogos · simuladores de lobo

Lobos, neve e botões a mais

Isto é um diário de leitura, só que de jogos. Reuni três simuladores de lobo para Android e escrevi sobre cada um como quem escreve sobre um livro: o que propõe, o que cumpre, onde desiste a meio.

Só um dos três tem classificação pública no Google Play, e por isso não há aqui médias de utilizadores para repetir de página em página. Há uma nota minha, numa escala de zero a dez, e a explicação de como lá cheguei. É o que este sítio tem para oferecer que uma lista automática não consegue.

Ver o catálogo Comparar os dois simuladores árticos

Dois cadernos, duas perguntas

O catálogo está dividido em dois cadernos, e a divisão não é por estúdio nem por qualidade: é pela pergunta que cada jogo faz a quem joga. Uns perguntam com quem se anda; o outro pergunta o que se faz quando não se anda com ninguém.

Lobos árticos junta os dois simuladores de tundra, que partilham o animal, a promessa de alcateia e um problema comum de coerência de cenário. Sobrevivência tem uma ficha só, a de um bosque de folha caduca percorrido por um lobo sozinho — e é, apesar disso, o título que lidera o diário.

Lobos árticos

Os dois simuladores de tundra do catálogo, com o mesmo animal e a mesma promessa de alcateia. Separam-se na quantidade de comandos e no cuidado posto no cenário.

2 análises neste caderno

Sobrevivência

Uma ficha só, e é a melhor do diário: um bosque de folha caduca, quatro barras a descer devagar e um ciclo de noite que muda o mapa de uma ponta à outra.

1 análises neste caderno

O que cabe dentro de um simulador de lobo

O género parece um bloco só e não é. Estes três jogos partilham um comando circular e pouco mais; o que os separa cabe em cinco ideias.

  • Caça e emboscada

    Seguir um rasto, escolher o ângulo, perder tracção na neve e recomeçar. É o gesto básico do género e aquele em que os três títulos deste diário mais se distinguem.

    Ver como funciona no simulador ártico

  • Território de tundra

    Mapas abertos, limites mal disfarçados, transições entre neve e erva feitas sem aviso. Um simulador vale muitas vezes pelo que faz com o espaço, e não pelo que põe dentro dele.

    Ir ao caderno dos lobos árticos

  • Alcateia e ninhada

    Ter uma cria a seguir o jogador muda a sessão por completo: deixa de ser um passeio e passa a ser uma tarefa com estado próprio, que continua quando ninguém está a olhar.

    Ler a análise do simulador com cria

  • Branco é adaptação, não espécie

    O lobo-ártico é uma subespécie do lobo-cinzento. A pelagem clara é camuflagem para a tundra, não uma espécie separada nem um animal diferente — e quase nenhum jogo o diz.

    Como escolho e verifico o que escrevo

  • O ciclo da noite

    Quando um simulador escurece a sério, o mapa que já se conhecia volta a ser novo. É o efeito mais barato do género e o que mais raramente está bem feito.

    O único do diário que acerta na noite

Quadro geral dos três

Os três simuladores de lobo do diário, comparados pelo tipo de experiência
JogoCenárioAlcateia no ecrãSessão típicaNota da redacção
The Wolf SimulatorBosque de folha caduca, com ciclo de noiteNenhuma, o lobo anda sozinho10 a 15 minutos7,3
Arctic Wolf Family SimulatorEncosta nevada que passa a prado verdeQuatro adultos, sem crias10 a 15 minutos6,2
Virtual Arctic Wolf Family SimFloresta verde com uma zona de neveCasal com uma cria que acompanha8 a 12 minutos4,6

Só um destes três títulos tem classificação pública no Google Play, e por isso não existe uma coluna com a nota da loja: a única medida comparável entre os três é a minha, numa escala de zero a dez. Quando dois ficam próximos, é a coluna do cenário que costuma decidir.

Como leio um simulador

Um simulador de animal não se avalia pelo cenário que mostra na loja. Avalia-se pelo que resta no ecrã depois de tirar todos os botões que lá foram postos sem motivo.

  1. Primeiro, os quinze minutos iniciais

    Instalo, abro e não leio nada. Se ao fim de um quarto de hora não perceber o que o jogo quer de mim nem para onde devo olhar, o problema é dele e fica escrito.

  2. Depois, a segunda meia hora

    É aqui que quase todos caem. As tarefas repetem-se, o mapa esgota-se e percebe-se se havia um jogo ou apenas um cenário com um animal em cima.

  3. No fim, o telemóvel velho

    Volto a instalar num aparelho de gama média com alguns anos. Um simulador que só corre em telemóveis recentes é um simulador para pouca gente.

Floresta de folha caduca com luz baixa a atravessar os troncos
O bosque a que todos estes jogos tentam chegar. Um deles chega perto; os outros dois preferiram encher o ecrã de comandos.

Não há aqui pontuações automáticas nem listas montadas a partir das fichas da loja. Cada análise é escrita depois de jogar, e as notas mudam quando a minha opinião muda.

Se quiser ver o método aplicado ao caso mais difícil, há uma página inteira dedicada a comparar, linha a linha, os dois simuladores de tundra do catálogo.