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DiaryTouch

Caderno dois de dois

Sobrevivência

Chamo sobrevivência aos jogos em que deixar de prestar atenção tem consequências. Neste caderno há uma ficha apenas, e é a que melhor cumpre essa definição: quatro barras — vida, fome, sede e energia — que descem devagar enquanto se percorre um bosque de folha caduca, obrigando a intercalar caminho com pausas junto à água.

Ao contrário dos dois simuladores de tundra do outro caderno, aqui não há alcateia nem cria a acompanhar. Há um lobo sozinho, um ciclo de dia e noite que escurece a sério e um punhado de tarefas curtas que se podem ignorar por completo. É menos do que os outros prometem e bastante mais do que os outros entregam.

Falésia sobre o mar com céu carregado, vista de baixo
Sobreviver, num jogo, é quase sempre vigiar duas barras. O difícil é fazer com que isso pareça uma paisagem e não uma folha de cálculo.

As fichas deste caderno

Um caderno com uma ficha só pode parecer um desequilíbrio, e é. Prefiro assumi-lo a inventar uma segunda análise para encher a página: quando encontrar outro simulador de lobo solitário que valha a pena, entra aqui.

Entretanto, a tabela abaixo compara este jogo consigo próprio, aspecto a aspecto — o que resolve de um lado, o que deixa por resolver do outro. É a forma mais honesta que encontrei de mostrar porque é que um título com tão poucas ideias fica em primeiro lugar.

Ícone de The Wolf Simulator: cabeça de lobo cinzento de fauce aberta, com lua cheia atrás

The Wolf Simulator

Wild Life · 4,0 / 5 no Google Play · nota da redacção 7,3

O único título do diário com classificação pública na loja e o mais bem resolvido dos três. Um lobo, um bosque de folha caduca e um ciclo de luz que sustenta a ilusão.

Ler a análise

Comparação dentro do caderno

The Wolf Simulator: o que o jogo resolve e o que deixa por resolver
AspectoO que o jogo resolveO que fica por fazer
Ciclo de luzDia e noite completos, com escuridão real à noiteSem estações e sem qualquer variação de clima
SomVento, aves e passos em folhada, bem montadosCiclos curtos, que o ouvido reconhece ao fim de minutos
ObjectivosTarefas curtas encadeadas, sem menus pelo meioRepertório esgotado ao fim da primeira meia hora
CompanhiaAnimais com rotinas simples de pastar e fugirSem alcateia, sem crias e sem outros jogadores
IdiomaPoucas palavras em inglês, apoiadas por íconesSem português e sem forma de aumentar o texto
DesempenhoFluido em telemóveis com anos e abre sem ligaçãoTexturas do solo pobres quando vistas ao perto

Este caderno tem uma única ficha, por isso a tabela compara o jogo consigo próprio em vez de o pôr ao lado de outro. É também a forma mais honesta de mostrar porque é que um título com tão poucas ideias lidera o diário.

Continuar a leitura

Vale a pena dizer o que este jogo não é, para evitar desilusões. Não tem alcateia, não tem crias, não tem servidores e não tem uma segunda zona para onde ir. Quem quiser vida de grupo tem de passar ao outro caderno e aceitar, em troca, um ecrã bastante mais carregado.

Também não tem português, tal como os outros dois. A diferença é que aqui as palavras são tão poucas — três ou quatro verbos, repetidos — que a barreira praticamente desaparece.

Para quem preferir tundra, neve e um grupo de animais a acompanhar, o outro caderno reúne os dois simuladores árticos do diário e compara-os linha a linha.