The Wolf Simulator
O único título do diário com classificação pública na loja e o mais bem resolvido dos três. Um lobo, um bosque de folha caduca e um ciclo de luz que sustenta a ilusão.
Caderno dois de dois
Chamo sobrevivência aos jogos em que deixar de prestar atenção tem consequências. Neste caderno há uma ficha apenas, e é a que melhor cumpre essa definição: quatro barras — vida, fome, sede e energia — que descem devagar enquanto se percorre um bosque de folha caduca, obrigando a intercalar caminho com pausas junto à água.
Ao contrário dos dois simuladores de tundra do outro caderno, aqui não há alcateia nem cria a acompanhar. Há um lobo sozinho, um ciclo de dia e noite que escurece a sério e um punhado de tarefas curtas que se podem ignorar por completo. É menos do que os outros prometem e bastante mais do que os outros entregam.
Um caderno com uma ficha só pode parecer um desequilíbrio, e é. Prefiro assumi-lo a inventar uma segunda análise para encher a página: quando encontrar outro simulador de lobo solitário que valha a pena, entra aqui.
Entretanto, a tabela abaixo compara este jogo consigo próprio, aspecto a aspecto — o que resolve de um lado, o que deixa por resolver do outro. É a forma mais honesta que encontrei de mostrar porque é que um título com tão poucas ideias fica em primeiro lugar.
O único título do diário com classificação pública na loja e o mais bem resolvido dos três. Um lobo, um bosque de folha caduca e um ciclo de luz que sustenta a ilusão.
| Aspecto | O que o jogo resolve | O que fica por fazer |
|---|---|---|
| Ciclo de luz | Dia e noite completos, com escuridão real à noite | Sem estações e sem qualquer variação de clima |
| Som | Vento, aves e passos em folhada, bem montados | Ciclos curtos, que o ouvido reconhece ao fim de minutos |
| Objectivos | Tarefas curtas encadeadas, sem menus pelo meio | Repertório esgotado ao fim da primeira meia hora |
| Companhia | Animais com rotinas simples de pastar e fugir | Sem alcateia, sem crias e sem outros jogadores |
| Idioma | Poucas palavras em inglês, apoiadas por ícones | Sem português e sem forma de aumentar o texto |
| Desempenho | Fluido em telemóveis com anos e abre sem ligação | Texturas do solo pobres quando vistas ao perto |
Este caderno tem uma única ficha, por isso a tabela compara o jogo consigo próprio em vez de o pôr ao lado de outro. É também a forma mais honesta de mostrar porque é que um título com tão poucas ideias lidera o diário.
Vale a pena dizer o que este jogo não é, para evitar desilusões. Não tem alcateia, não tem crias, não tem servidores e não tem uma segunda zona para onde ir. Quem quiser vida de grupo tem de passar ao outro caderno e aceitar, em troca, um ecrã bastante mais carregado.
Também não tem português, tal como os outros dois. A diferença é que aqui as palavras são tão poucas — três ou quatro verbos, repetidos — que a barreira praticamente desaparece.
Para quem preferir tundra, neve e um grupo de animais a acompanhar, o outro caderno reúne os dois simuladores árticos do diário e compara-os linha a linha.