Arctic Wolf Family Simulator
O ecrã mais arrumado dos dois simuladores árticos do diário. O que não bate certo é o cenário: promete tundra no nome e entrega prado verde em boa parte do mapa.
Caderno um de dois
Dois jogos, o mesmo ponto de partida: um lobo de pelagem clara, um mapa com neve e um grupo de animais que anda atrás de quem joga. Ambos abrem sem conta, funcionam sem ligação à rede e não têm conversa, servidores nem hierarquia. O mundo é inteiramente de quem joga.
Convém dizer já uma coisa que nenhum dos dois diz. O lobo-ártico não é uma espécie separada: é uma subespécie do lobo-cinzento, e a pelagem clara é uma adaptação ao ambiente onde vive — camuflagem sobre neve durante boa parte do ano, numa tundra onde o verão é curto e a noite polar é longa. Vive em grupos familiares pequenos, com uma ninhada por ano. Os dois títulos deste caderno usam o nome e ignoram quase tudo o resto.
Se quiser experimentar apenas um, escolha o primeiro. É o que tem o ecrã mais arrumado, o movimento com mais peso e a única coisa que se aproxima de uma perseguição a sério neste catálogo.
O segundo tem um argumento próprio e é preciso ser justo com ele: é o único do diário em que existe uma cria a acompanhar o jogador do princípio ao fim. Fora disso, é o título mais fraco que aqui se encontra, e a análise não esconde porquê.
O ecrã mais arrumado dos dois simuladores árticos do diário. O que não bate certo é o cenário: promete tundra no nome e entrega prado verde em boa parte do mapa.
O ecrã mais carregado do catálogo e o mapa menos coerente. Tem uma cria para acompanhar, e é praticamente a única coisa que aqui funciona como devia.
| Jogo | Estúdio | Densidade da interface | Coerência do cenário | Porta de entrada |
|---|---|---|---|---|
| Arctic Wolf Family Simulator | TingBing Gaming | Média, com botões nos quatro cantos | Mista: neve no cartaz, erva em metade do mapa | Imediata, sem tutorial |
| Virtual Arctic Wolf Family Sim | United Racing and Simulation Games | Muito alta, cerca de trinta comandos | Fraca: elefantes e crias de outra espécie no mapa | Confusa nos primeiros minutos |
Os dois jogos partem da mesma premissa e separam-se no cuidado posto na montagem. Nenhum deles tem classificação pública na loja, o que torna esta tabela a única comparação disponível entre ambos.
Nenhum destes dois jogos aguenta um serão inteiro. Ao fim de meia hora seguida, ambos mostram a mesma costura: as tarefas voltam pela mesma ordem, os animais reaparecem quase nos mesmos sítios e o mapa deixa de ter seja o que for por descobrir.
Há ainda um traço comum que só se nota ao experimentá-los de seguida: nenhum tem português, nenhum explica os seus próprios ícones e nenhum permite aumentar o tamanho do texto. Para quem lê mal inglês, o género inteiro continua a ser uma barreira — ainda que aqui, por serem poucas palavras, a barreira seja mais baixa do que o costume.
Quem procurar sossego em vez de alcateia encontra-o no outro caderno, numa ficha única que é também a melhor do diário.